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Ozempic faz cair o cabelo? Dermatologistas explicam por que isso acontece, quem está mais em risco e o que fazer para prevenir

Créditos: Adobe Stock

Com o crescimento do uso de canetas emagrecedoras como o Ozempic, o Wegovy e o Mounjaro, um efeito colateral ganhou destaque nas redes sociais e nos consultórios: a queda de cabelo. Quem está passando por isso quer saber se o medicamento é o culpado — e a resposta que a dermatologia dá é mais nuançada do que um simples sim ou não.

O cabelo não cai por causa do remédio

A semaglutida, princípio ativo presente no Ozempic e no Wegovy, não danifica o folículo capilar diretamente. Ela não age sobre o cabelo como um quimioterápico agiria, destruindo células em divisão rápida. O que causa a queda é o emagrecimento rápido que o medicamento proporciona. O corpo percebe a perda acelerada de peso como um estresse físico significativo e redireciona recursos para funções vitais, deixando o crescimento do cabelo em segundo plano.

Esse mecanismo tem nome: eflúvio telógeno. O eflúvio telógeno é uma condição em que o cabelo entra precocemente na fase de repouso e queda. Em condições normais, cada fio passa por um ciclo de crescimento, transição, repouso e queda. No eflúvio telógeno, um grande número de fios entra ao mesmo tempo na fase de repouso, resultando em uma queda mais intensa e difusa do que o habitual.

Por que a queda aparece meses depois de começar o tratamento

A queda costuma aparecer de 2 a 4 meses após o início do emagrecimento intenso, o que faz muita gente atribuir o problema ao medicamento em si, sem perceber a relação temporal. O gatilho metabólico ocorre na fase de perda de peso mais intensa, mas os fios levam semanas para responder. Quando a queda aparece, o paciente já se acostumou com o medicamento — e por isso tende a culpar outros fatores ou, inversamente, a culpar a caneta sem entender a causa real.

Quem corre mais risco

Nem todo usuário de canetas emagrecedoras vai perder cabelo. Alguns fatores parecem aumentar esse risco, como emagrecimento muito rápido, baixa ingestão proteica, deficiência de ferro, vitamina D, histórico prévio de queda capilar e predisposição genética.

Há ainda um alerta específico para quem tem predisposição à alopecia androgenética, a calvície de padrão genético. Em pacientes com predisposição genética para alopecia androgenética, o eflúvio telógeno pode acelerar a progressão da doença. Isso ocorre porque, após a queda, o cabelo que volta a crescer pode ser mais fino e fraco do que o anterior, levando a um afinamento progressivo.

A queda é temporária?

Na maioria dos casos, sim. A boa notícia: em grande parte dos casos, a queda é temporária e o ciclo capilar se normaliza quando o peso se estabiliza e a nutrição é ajustada. O processo de recuperação é gradual e pode levar alguns meses após a estabilização do peso e a correção dos déficits nutricionais.

O que ajuda a prevenir e a minimizar

A prevenção começa antes do emagrecimento se intensificar. As principais recomendações dos dermatologistas são:

Manter a ingestão adequada de proteínas. O cabelo é formado principalmente por queratina, uma proteína, e a redução da ingestão proteica é um dos principais gatilhos do eflúvio telógeno associado ao emagrecimento.

Investigar e corrigir deficiências nutricionais. Ferro, vitamina D, biotina e zinco são os nutrientes mais frequentemente associados à queda capilar. Exames de sangue antes e durante o tratamento ajudam a identificar essas lacunas.

Evitar a perda de peso muito acelerada. Quanto mais rápido o emagrecimento, maior o estresse metabólico e o risco de queda. Ajustar a velocidade do processo com o médico pode reduzir esse impacto.

Conversar com um dermatologista se a queda for intensa ou persistente. Em alguns casos, o médico pode indicar tratamentos complementares para estimular o crescimento capilar enquanto o ciclo se recupera.

Matéria produzida pela equipe do Destaque RS.

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