×

Feijão sobe 41%, tomate dispara 86% no ano e o segundo semestre pode ser ainda pior: entenda o que está por trás da alta dos alimentos em 2026

Créditos: Getty Imagens

Quem foi ao mercado em 2026 já sentiu no bolso. A cesta básica de 35 produtos acompanhada pela Abrasmercado, indicador da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), acumula alta de 6,82% no ano, com o valor médio chegando a R$ 854,91 em maio. E o segundo semestre, segundo a entidade, pode ser ainda mais pressionado.

A combinação de dois fatores externos preocupa: a guerra entre Estados Unidos e Irã, que mantém os preços do petróleo voláteis e elevados, e a chegada de um Super El Niño previsto para o fim do ano, com intensidade estimada em 63%.

O que já subiu e quanto

Os dados de maio mostram que o problema não é novo, mas se aprofunda. Entre os produtos que mais pressionaram a cesta básica, o feijão lidera com folga, acumulando alta de 41,09% no ano, após subir 6,44% só em maio. O arroz registrou 2,16% no mês.

No hortifruti, os números são ainda mais expressivos. O tomate acumula alta de 86,17% no ano, a batata subiu 75,84% e a cebola, 48,88%. Só em maio, as variações foram de 20,62%, 44,69% e 16,80%, respectivamente.

O leite longa vida registrou alta de 0,77% no mês, mas também acumula pressão ao longo do ano.

Regionalmente, o Nordeste registrou a maior variação mensal de preços, com alta de 2,79%. Apesar disso, continua sendo a região com a cesta mais barata do país, em R$ 772,51. O Norte tem o maior custo, com cesta chegando a R$ 939,79.

Por que o petróleo impacta o preço dos alimentos

Desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, em fevereiro de 2026, as cotações do petróleo Brent e WTI dispararam, chegando a US$ 120 nas primeiras semanas. A volatilidade persiste, com incertezas sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto de todas as exportações mundiais de petróleo.

O impacto no preço dos alimentos chega por vários caminhos: o diesel encarece o transporte de cargas, o que eleva o custo logístico de toda a cadeia de abastecimento. Fertilizantes e insumos agrícolas também têm precificação ligada ao petróleo. Com os contratos futuros avançando mais de 5% nesta quarta-feira (8), a pressão sobre os preços não deve arrefecer no curto prazo.

O El Niño que preocupa

O segundo vetor de pressão é climático. Um fenômeno El Niño está previsto para o segundo semestre de 2026, com intensidade estimada em 63% — o que o colocaria entre os mais intensos desde 1950. Se confirmado, o Super El Niño afeta diretamente a produção de alimentos em várias regiões do Brasil, com impacto especialmente sobre hortifrutigranjeiros, que já estão entre os produtos com maior alta acumulada no ano.

A Abras afirma que acompanhará o fenômeno de perto e que a tendência de alta dos preços, já intensa, pode se agravar caso as projeções climáticas se confirmem.

Por que o consumo ainda cresce

Apesar da pressão nos preços, o consumo das famílias brasileiras continuou avançando. Na comparação com maio de 2025, o indicador da Abras cresceu 3,93%. Em relação a abril, subiu 2,23%.

O bom momento do mercado de trabalho, com desemprego em mínima histórica e renda em alta, explica parte desse movimento. Em maio, contribuíram ainda fatores sazonais relevantes: pagamento de lotes de restituição do Imposto de Renda, antecipação do 13º salário, benefícios do Bolsa Família, PIS/Pasep e pagamentos do INSS. O Dia das Mães também impulsionou o consumo da semana comemorativa em cerca de 9,5% na comparação com 2025.

A projeção da Abras é que 2026 termine com crescimento de 3,2% no consumo, mesmo em um cenário de juros elevados e preços pressionados.

Matéria produzida pela equipe do Destaque RS.

Publicar comentário

Economia