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Pare de estudar 10 horas por dia para o Enem: especialistas explicam por que menos tempo concentrado vale mais do que maratonas

Créditos: Unsplash

Com o segundo semestre chegando e o Enem 2026 se aproximando, muitos estudantes entram em modo de maratona: mais horas de estudo, menos descanso, comparações constantes com quem parece estudar mais. O problema é que esse caminho costuma levar ao esgotamento — não à aprovação.

O INEP registrou 5 milhões de inscritos no Enem deste ano, o maior número desde 2022, representando um aumento de 47,1% em relação ao ciclo anterior. A competição é real. Mas a forma como a maioria dos estudantes enfrenta essa pressão pode estar sabotando o próprio desempenho.

Não existe número mágico de horas

A primeira coisa que especialistas em educação deixam claro é que não há uma carga horária ideal que funcione para todo mundo. O que importa é construir uma rotina sustentável, personalizada de acordo com o tempo disponível, a base de conhecimento do estudante, a nota desejada e o estilo de aprendizado de cada um.

Uma rotina que funciona por três semanas e depois quebra é menos eficaz do que uma rotina mais modesta mantida por meses. A constância é um dos principais fatores para um bom desempenho — e ela raramente sobrevive às maratonas de dez horas por dia.

O cérebro não funciona como uma máquina

Muitos estudantes passam a acreditar que estão atrasados porque não conseguem manter dez horas diárias de estudo. Essa comparação gera ansiedade e prejudica o aprendizado. O cérebro tem um limite para a concentração — e passar mais tempo estudando não garante mais conteúdo absorvido quando esse limite é ultrapassado.

Três horas de estudo realmente concentrado costumam valer muito mais do que uma maratona. Durante esse tempo, resolver exercícios, fazer simulados, revisar a matéria e explicar o conteúdo com as próprias palavras fazem o cérebro trabalhar de forma ativa e eficiente — o que impacta diretamente na fixação e no entendimento.

Em geral, uma rotina de três a seis horas de estudo por dia, aliada à resolução frequente de questões e revisões periódicas, tende a se encaixar bem nos diferentes perfis de candidatos ao Enem.

Descanso não é perda de tempo

Uma pessoa privada de sono não aprende nada de forma duradoura. O descanso é parte essencial do processo de memorização: é durante o sono que o cérebro consolida as informações absorvidas ao longo do dia. Jornadas excessivas de estudo acompanhadas de privação de descanso são contraproducentes — o estudante sente que está se esforçando, mas o resultado nos simulados não aparece.

Por isso, uma boa rotina de estudos deve incluir pausas ao longo do dia, momentos de lazer e horas de sono adequadas. Não como recompensa — como parte da estratégia.

Como montar uma rotina que funciona

Algumas práticas ajudam a tirar mais proveito do tempo de estudo, independentemente da quantidade de horas disponíveis:

Priorize as matérias e temas nos quais você tem mais dificuldade, e não os que já domina. É tentador estudar o que vai bem — é confortável. Mas o tempo é melhor investido onde o ganho é maior.

Resolva questões das edições anteriores do Enem regularmente. A familiaridade com o estilo das perguntas, o nível de dificuldade e a forma como os temas são cobrados vale mais do que decorar qualquer resumo.

Faça revisões espaçadas. Rever o conteúdo em intervalos crescentes — depois de um dia, depois de três dias, depois de uma semana — é uma das técnicas de memorização com mais respaldo científico disponível.

E, acima de tudo, respeite seus limites. Um estudante descansado, com rotina consistente e estratégia clara, chega ao dia da prova em melhores condições do que aquele que tentou compensar meses de procrastinação com semanas de maratona.

Matéria produzida pela equipe do Destaque RS.

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