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Gasolina cara, passagem de avião 52% mais cara: o transporte virou o novo vilão do orçamento das famílias brasileiras

Créditos: iStock

Quem preenche o tanque do carro, paga a passagem de ônibus ou tenta comprar uma passagem de avião sente no bolso o que os dados confirmam: o transporte se tornou um dos maiores problemas do orçamento das famílias brasileiras em 2026. O percentual de pessoas que apontam o transporte entre os três principais gastos mensais saltou de 2% em junho de 2025 para 27,6% no mesmo período de 2026, um aumento de 25,6 pontos percentuais em apenas doze meses, segundo pesquisa da FGV IBRE.

A causa central está fora do Brasil. A guerra entre Estados Unidos e Irã, que se intensificou a partir de fevereiro, gerou instabilidade no mercado internacional do petróleo e pressão direta nos preços dos combustíveis. O conflito ameaça o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.

Como essa alta chegou ao dia a dia

O impacto do petróleo mais caro não se limita ao posto de gasolina. O diesel é o insumo que mais pesa no orçamento de 81,5% das transportadoras brasileiras, segundo pesquisa da CNT. Quando ele sobe, o frete sobe junto — e o custo logístico aumentado aparece rapidamente nos preços de alimentos, produtos industrializados e serviços de entrega.

No transporte aéreo, o impacto foi ainda mais intenso. As passagens de avião subiram 23% no primeiro semestre de 2026 e acumulam alta de 52,4% na comparação com junho de 2025, impulsionadas pelo encarecimento do querosene de aviação. A diferença de custo entre avião e ônibus chegou a ser quatro vezes maior, provocando uma migração de passageiros para as rodoviárias em todo o país.

No transporte rodoviário de passageiros, o cenário foi misto. As passagens interurbanas acima de 400 km registraram queda média de 5,8% no primeiro semestre, tornando o ônibus uma alternativa mais vantajosa. Já os trajetos curtos, de até 100 km, subiram 10,1%, puxados pela demanda constante de deslocamentos cotidianos.

O efeito em cadeia no orçamento

A pesquisa da FGV IBRE mostra que a pressão do transporte está dificultando o pagamento das contas essenciais. Nos últimos três meses, 69,1% dos entrevistados afirmaram conseguir pagar todas as despesas essenciais — índice inferior ao de fevereiro, quando o percentual era de 72,4%. A principal razão para essa mudança não é uma queda na renda, mas o aumento contínuo do custo de vida, que corrói o poder de compra mesmo de quem manteve o salário.

O governo federal reagiu ao cenário aprovando crédito extraordinário de R$ 330 milhões para subsidiar o gás de cozinha e amortecer o impacto da volatilidade do petróleo sobre as famílias mais vulneráveis, especialmente os beneficiários do programa Gás do Povo.

O que esperar

A Petrobras manteve os preços do diesel sem reajuste há mais de 300 dias desde o último ajuste, em maio de 2025, quando houve redução. A presidente da estatal sinalizou que a empresa tentará evitar repassar a alta do petróleo ao consumidor enquanto o cenário externo permanecer instável. Mas especialistas alertam que o prolongamento do conflito geopolítico pode tornar esse equilíbrio insustentável nos próximos meses.

Matéria produzida pela equipe do Destaque RS.

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