Alarme no Reino Unido: diabetes tipo 2 avança entre mulheres na faixa dos 20 anos e especialistas apontam obesidade pós-pandemia como principal causa
Créditos: Getty Images
O diabetes tipo 2 deixou de ser uma doença predominantemente associada à meia-idade e à terceira idade. Uma análise de dados do NHS, o sistema público de saúde do Reino Unido, conduzida por pesquisadores do Imperial College London, revelou um “aumento preocupante” no número de mulheres jovens na faixa dos 20 anos que estão sendo diagnosticadas com a doença. O crescimento ocorreu principalmente após a pandemia de Covid-19 e está diretamente ligado ao avanço da obesidade nessa faixa etária.
O estudo analisou dados da Auditoria Nacional de Diabetes da Inglaterra de 2011 a 2024 e identificou que, enquanto os índices da doença estão diminuindo levemente entre adultos mais velhos, eles crescem rapidamente em pessoas com menos de 40 anos — com alguns dos aumentos mais expressivos justamente entre mulheres de 20 a 29 anos.
Por que diabetes tipo 2 em jovens é mais grave
O diabetes tipo 2 que se desenvolve cedo na vida tende a ser mais agressivo do que quando diagnosticado em pessoas mais velhas. Isso ocorre porque o organismo terá mais décadas de exposição às consequências da doença, como danos aos vasos sanguíneos, rins, olhos e nervos. O risco de complicações graves, como ataques cardíacos e derrames, aumenta significativamente, reduzindo a expectativa de vida.
Atualmente, cerca de 12 mil pessoas com menos de 30 anos vivem com diabetes tipo 2 na Inglaterra, e as mulheres representam a maioria dos casos mais jovens. No total, aproximadamente 6 milhões de pessoas no Reino Unido convivem com diabetes, sendo 90% delas com o tipo 2.
A ligação com a obesidade
Os dados mostram que o Índice de Massa Corporal no momento do diagnóstico tem aumentado mais rapidamente entre adultos mais jovens do que nas faixas etárias mais avançadas, sugerindo uma relação de causa direta. Os índices de obesidade na Inglaterra pioraram desde a pandemia, afetando quase uma em cada três pessoas.
Entre 2019 e 2025, o número de novos casos de obesidade cresceu 16% em pessoas de 20 a 29 anos e quase 20% naquelas de 30 a 39 anos. No mesmo período, as taxas caíram entre adultos de 60 a 79 anos — exatamente o grupo onde o diabetes tipo 2 vinha sendo mais comum.
Para a pesquisadora principal, o início precoce da obesidade grave em jovens aumenta o risco de diabetes tipo 2 no início da vida e reduz a idade do diagnóstico. Segundo ela, grande parte da discussão sobre o aumento da doença entre os mais jovens se concentrava em grupos étnicos minoritários, historicamente considerados de maior risco. Mas os novos dados mostram que a tendência se estende muito além dessas comunidades — o aumento ocorre também na população branca, demonstrando que o desafio de saúde pública está se ampliando entre gerações.
Outros fatores que elevam o risco
A Diabetes UK aponta que mulheres diagnosticadas com diabetes gestacional durante a gravidez também precisam de acompanhamento mais rigoroso após o parto, pois essa condição aumenta o risco de desenvolver diabetes tipo 2 mais tarde. Alguns estudos também identificaram associação entre a Covid-19 e o risco aumentado de diabetes tipo 2, embora as evidências ainda não sejam conclusivas.
O que fazer
O diagnóstico precoce é essencial. Os sintomas mais comuns do diabetes tipo 2 incluem cansaço excessivo, vontade frequente de urinar e sede constante. Quem apresenta esses sinais deve procurar avaliação médica, especialmente se houver histórico familiar da doença, excesso de peso ou diabetes gestacional anterior.
Em casos iniciais, a doença pode entrar em remissão com alimentação saudável e manutenção de peso adequado, sem necessidade de medicamentos. Para os casos mais complexos, os pesquisadores apontam que tratamentos mais recentes para a obesidade, como os medicamentos GLP-1, podem ajudar no controle tanto do peso quanto da glicemia.
Matéria produzida pela equipe do Destaque RS.



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