Seus ouvidos estão envelhecendo mais rápido do que você imagina: o que a ciência diz para proteger a audição agora e no futuro
Crédito: Getty Images
Você provavelmente já sabe que ouvir música muito alta faz mal. Mas o quanto você realmente cuida dos seus ouvidos no dia a dia? A perda auditiva é uma das condições de saúde mais subestimadas do mundo: atinge 1,5 bilhão de pessoas atualmente e, segundo a Organização Mundial da Saúde, esse número chegará a 2,5 bilhões até 2050. A boa notícia é que a maioria dos casos pode ser evitada.
Por que a audição se perde com o tempo
As células ciliadas da cóclea, estrutura interna do ouvido responsável por transformar ondas sonoras em impulsos elétricos para o cérebro, não se regeneram. Uma vez danificadas, ficam danificadas para sempre. O processo de perda auditiva é silencioso e gradual — a maioria das pessoas só percebe o problema quando os danos já são permanentes.
Com o envelhecimento natural, ocorre o que se chama de presbiacusia: uma diminuição progressiva da capacidade de ouvir frequências mais altas. Mas esse processo pode ser acelerado significativamente pela exposição ao ruído, medicamentos ototóxicos, doenças não tratadas e hábitos cotidianos que parecem inofensivos.
O inimigo número um: o volume
A OMS considera que qualquer som acima de 85 decibéis tem potencial de causar danos, especialmente em exposição prolongada. Para ter uma referência: o tráfego intenso de uma grande cidade fica em torno de 85 dB, uma furadeira passa de 100 dB, e shows e festivais frequentemente ultrapassam 110 dB.
O problema não está apenas no volume máximo, mas no tempo de exposição. Uma hora em 91 dB causa tanto dano quanto dois minutos em 110 dB. A equação é implacável, e o ouvido não sinaliza o dano em tempo real.
O que está fazendo mal e você não percebe
Fones de ouvido com cancelamento de ruído ativo são, paradoxalmente, mais seguros do que os sem essa tecnologia — desde que usados com moderação. O problema dos fones comuns é que, em ambientes barulhentos, o usuário aumenta o volume involuntariamente para compensar o ruído externo, chegando facilmente a níveis prejudiciais.
A regra dos 60/60 é uma diretriz prática: usar fones de ouvido a no máximo 60% do volume máximo por no máximo 60 minutos seguidos antes de fazer uma pausa. O silêncio entre sessões não é dispensável, ele é parte da proteção.
Além do volume, há outros fatores que prejudicam a audição e raramente são associados a ela: o uso de cotonetes, que empurra a cera para dentro do canal auditivo e pode causar lesões; o tabagismo, que reduz o fluxo sanguíneo para as estruturas do ouvido interno; e alguns medicamentos de uso comum, incluindo determinados anti-inflamatórios e antibióticos, que podem ser ototóxicos em doses elevadas.
O que protege a audição
A prevenção começa por atitudes simples e concretas. Em ambientes com ruído intenso, como shows, obras, ambientes industriais ou até bares barulhentos, o uso de protetores auriculares reduz a exposição entre 5 e 45 dB. Protetores modernos para uso recreativo permitem ouvir a música ou a conversa com clareza, apenas em volume reduzido.
A atividade física cardiovascular beneficia a audição indiretamente: ao melhorar o sistema circulatório, aumenta o fluxo sanguíneo nas estruturas do ouvido interno. Caminhada, corrida e natação aparecem entre as modalidades mais recomendadas por essa razão.
Manter a pressão arterial e o açúcar no sangue sob controle também protege a audição, já que hipertensão e diabetes afetam a microcirculação das estruturas auditivas. Cuidar de infecções de ouvido, varicela, meningite e outras doenças que podem causar perda auditiva, especialmente em crianças, é outro fator relevante.
Quando fazer uma avaliação auditiva
Os sinais de alerta que merecem atenção incluem dificuldade de entender conversas em ambientes com ruído de fundo, necessidade crescente de aumentar o volume da televisão, sensação frequente de ouvido tapado e zumbido persistente, mesmo em ambientes silenciosos.
O exame de audiometria é simples, rápido e indolor. Especialistas recomendam que adultos o realizem pelo menos uma vez por década a partir dos 40 anos, e com mais frequência em caso de exposição frequente a ruídos ou presença de fatores de risco. O diagnóstico precoce é o que permite intervenções eficazes antes que os danos se tornem irreversíveis.
Matéria produzida pela equipe do Destaque RS.



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