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Ozempic contra o câncer? Novos estudos sugerem que as canetas emagrecedoras podem beneficiar pacientes oncológicos

Créditos: Pexels

As chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1 como a semaglutida e a tirzepatida, ficaram famosas pelo controle do diabetes e da obesidade. Agora, estão despertando um interesse inesperado em outra área da medicina: a oncologia. Novos estudos sugerem que esses medicamentos podem estar associados à redução do risco de progressão de alguns tipos de câncer e até a melhores resultados em pacientes que já estão em tratamento.

O que os estudos encontraram

Um dos trabalhos de maior repercussão foi apresentado no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) de 2026. A pesquisa analisou dados de mais de 177 mil pacientes com tumores sólidos e cânceres hematológicos em tratamento com imunoterapia. Desse total, cerca de 3.800 usavam medicamentos da classe GLP-1. Após ajustes estatísticos, os pesquisadores acompanharam mais de 3.400 pacientes em cada grupo por até cinco anos e concluíram que quem usava GLP-1 apresentava maior sobrevida e menos efeitos colaterais durante a imunoterapia.

Outro estudo publicado anteriormente no JAMA Network Open, com mais de 1,6 milhão de pessoas com diabetes tipo 2, encontrou associação entre o uso de agonistas de GLP-1 e menor probabilidade de desenvolver 13 tipos de câncer relacionados à obesidade.

Os tumores com resultados mais promissores nos estudos até agora são os de mama, intestino, pulmão e fígado.

Por que faz sentido biologicamente

A obesidade é um fator de risco estabelecido para diversos tipos de câncer. A perda de peso obtida por cirurgia bariátrica já havia demonstrado impacto positivo na prevenção da doença. Os pesquisadores investigam agora se os GLP-1 produzem efeitos semelhantes por dois caminhos: a melhora do ambiente metabólico e a redução da inflamação crônica associada à obesidade, condições que favorecem o desenvolvimento e a progressão de tumores.

Especialistas também apontam que os efeitos dos GLP-1 podem ser parcialmente independentes da perda de peso, agindo diretamente sobre processos inflamatórios e metabólicos que influenciam a biologia do tumor.

O que os médicos dizem

Apesar dos dados animadores, os especialistas são cautelosos. Nenhum médico deve prescrever semaglutida ou tirzepatida com o objetivo de prevenir ou tratar câncer. A indicação formal dessas medicações continua sendo para obesidade e diabetes tipo 2, sempre com acompanhamento médico especializado.

Um ponto de consenso entre os especialistas é a importância da composição corporal. Mais relevante do que simplesmente perder peso é entender o que está sendo perdido. Em pacientes oncológicos, a preservação da massa muscular é essencial, pois influencia diretamente a resposta ao tratamento e a qualidade de vida.

A oncologia começa a olhar para o paciente de forma cada vez mais integrada, considerando obesidade, diabetes, alimentação, atividade física e composição corporal como fatores que afetam os resultados clínicos. Os estudos com GLP-1 reforçam essa abordagem, mas ainda são necessárias pesquisas clínicas específicas para confirmar os efeitos e definir protocolos.

Matéria produzida pela equipe do Destaque RS.

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