Além de emagrecer: estudo revela que medicamentos GLP-1 como o Ozempic reduzem mortes e amputações em pacientes diabéticos com doença arterial
Os medicamentos à base de GLP-1, classe que inclui a semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, acumulam cada vez mais evidências de que seus benefícios vão muito além do controle do peso. Um novo estudo publicado no JAMA Network Open analisou dados de mais de 90 mil pacientes com diabetes tipo 2 e doença arterial periférica e encontrou resultados expressivos: os agonistas do receptor GLP-1 reduziram significativamente as taxas de mortalidade e de amputações de membros inferiores em comparação a outros medicamentos para diabetes.
O que é a doença arterial periférica e por que ela é grave
A doença arterial periférica é uma condição caracterizada pelo estreitamento das artérias que irrigam as pernas e os pés, reduzindo o fluxo de sangue para os membros inferiores. Em pacientes com diabetes, essa condição é especialmente perigosa porque a combinação de circulação comprometida e danos nos nervos aumenta drasticamente o risco de feridas que não cicatrizam, infecções graves e, nos casos mais avançados, amputações.
No Brasil, estima-se que aproximadamente 400 mil pessoas morram por ano em decorrência de complicações cardiovasculares, e o diabetes é um dos principais fatores de risco. A doença arterial periférica afeta cerca de 15% a 20% dos pacientes diabéticos.
O que o estudo encontrou
A pesquisa comparou pacientes usando GLP-1 com pacientes usando outros antidiabéticos, como as sulfonilureias e as glitazonas. Os resultados mostraram que o grupo tratado com GLP-1 teve redução de 42% no risco de amputação de membros inferiores e de 29% no risco de morte por qualquer causa, além de menor taxa de eventos cardiovasculares graves como infarto e AVC.
Os pesquisadores apontam que os efeitos protetores dos GLP-1 sobre o sistema vascular parecem ser independentes da perda de peso. Em outras palavras, mesmo pacientes que não emagreceram significativamente com o tratamento apresentaram benefícios cardiovasculares, o que sugere que a molécula age diretamente sobre os vasos sanguíneos e os processos inflamatórios.
O que isso significa para o tratamento do diabetes no Brasil
Os resultados reforçam uma tendência que vem se consolidando na medicina: os GLP-1 estão deixando de ser vistos apenas como medicamentos para perda de peso e passam a ser considerados uma opção terapêutica central para pacientes com risco cardiovascular elevado, especialmente diabéticos.
No Brasil, a chegada de versões nacionais da semaglutida, como o Ozivy, da EMS, e a futura Semavy, da Hypera Pharma, pode ampliar o acesso ao tratamento. Atualmente, o Ozempic original pode custar entre R$ 825 e R$ 1.100 por unidade nas farmácias, um valor inacessível para grande parte da população que mais se beneficiaria do medicamento.
Especialistas reforçam que o uso de GLP-1 deve ser sempre acompanhado por médico, com avaliação individualizada do risco e benefício para cada paciente.
Matéria produzida pela equipe do Destaque RS.



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