A IA ainda não destruiu empregos, mas está fechando a porta para os jovens: o que diz o relatório da OCDE sobre o futuro do trabalho
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O medo de que a inteligência artificial destruísse empregos em massa, ao menos por enquanto, não se confirmou. A taxa de desemprego na área da OCDE está em 4,9%, um nível próximo de seu mínimo histórico de 4,8% registrado em junho de 2023, e a previsão é de que o emprego continue crescendo 0,3% neste ano e 0,6% no próximo.
Mas o relatório Perspectivas do Emprego 2026, divulgado nesta segunda-feira (13) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, traz um alerta específico que merece atenção: se a IA ainda não está derrubando o emprego geral, ela já está dificultando muito a entrada dos jovens no mercado de trabalho.
O que está mudando de fato
A IA não está eliminando empregos, mas está transformando as competências exigidas pelas organizações. Entre as principais mudanças apontadas pelo relatório estão a maior valorização de habilidades ligadas às novas tecnologias e a transformação do perfil das vagas disponíveis.
Isso cria um problema específico para quem está tentando entrar no mercado pela primeira vez. O relatório alerta para o risco de que a IA automatize tarefas que antes serviam como porta de entrada para carreiras em áreas como finanças, marketing e direito. Essas funções de nível inicial, que permitiam a jovens sem experiência aprender na prática e construir uma carreira, estão sendo substituídas por sistemas automatizados. Quem já está no mercado adapta suas habilidades. Quem ainda não entrou não tem onde começar.
O paradoxo do mercado de trabalho atual
O cenário que emerge do relatório é aparentemente contraditório: o mercado de trabalho está aquecido, com desemprego em mínimas históricas, mas os jovens têm cada vez mais dificuldade de ingressar. Isso acontece porque a IA está tornando os trabalhadores experientes mais produtivos — e as empresas precisam contratar menos pessoas para produzir o mesmo resultado. As vagas que surgem são mais qualificadas, mais técnicas e mais difíceis de ocupar por quem está começando.
Em quase um terço dos países analisados pela OCDE, os salários reais continuam inferiores aos de cinco anos atrás, o que impede que parte dos trabalhadores sinta os benefícios de um mercado dinâmico.
O que os países precisam fazer
O relatório da OCDE é claro quanto à necessidade de ação. A organização recomenda que os governos invistam em programas de qualificação voltados para habilidades digitais e tecnológicas, especialmente para jovens e trabalhadores em funções mais expostas à automação. A adaptação dos sistemas educacionais ao novo perfil de competências exigidas pelo mercado também é apontada como urgente.
A mensagem central do documento pode ser resumida assim: a IA está transformando o trabalho, não destruindo. Mas essa transformação, se não for acompanhada de políticas públicas adequadas, pode criar uma geração inteira de jovens sem porta de entrada para o mercado — mesmo em um cenário de pleno emprego.
Matéria produzida pela equipe do Destaque RS.



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