Meta demite 8 mil, monitora teclados de funcionários e agora enfrenta processo por usar IA para escolher quem seria dispensado
Créditos: Getty Images
A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, anunciou em abril que vai demitir 10% de sua força de trabalho, o equivalente a 8.000 funcionários, e fechar outras 6.000 vagas, enquanto investe em inteligência artificial.
Em abril, o CEO Mark Zuckerberg comunicou em reunião com funcionários que a empresa demitiria cerca de 10% da força de trabalho, aproximadamente 8 mil pessoas, a partir de maio. Novos cortes foram sinalizados para o segundo semestre. A justificativa apresentada foi direta: a Meta tem dois grandes centros de custo, infraestrutura de computação e capital humano, e ao aumentar os gastos em um, precisa reduzir o outro.
O que está no centro do processo judicial
Um processo judicial movido por 26 ex-funcionários da companhia, identificados anonimamente, foi protocolado no tribunal federal de Oakland, na Califórnia. Os autores alegam que os sistemas de IA usados pela Meta para escolher quem seria dispensado teriam mirado, de forma desproporcional, pessoas com deficiência ou que tiraram licença médica.
A denúncia cita que a Meta teria usado uma combinação de ferramentas internas para pontuar e ranquear funcionários numa “lista de demissão”: o Metamate, um assistente baseado em LLM; um “segundo cérebro” treinado para rastrear comunicações e documentos de cada empregado; e um score de produtividade construído a partir da varredura de teclas digitadas, conteúdo de tela, e-mails e histórico de navegação.
O que a Meta diz
A empresa afirma que as decisões relacionadas às quase 8 mil demissões foram tomadas por pessoas e que nenhum sistema de inteligência artificial foi usado para escolher funcionários que seriam desligados.
O monitoramento que revoltou os funcionários
Dois fatores aprofundaram a revolta interna: primeiro, a ausência de comunicação direta sobre as demissões enquanto a empresa divulgava publicamente sua “transformação organizacional orientada por IA”, deixando funcionários sem resposta sobre seus cargos. Segundo, a implementação de um sistema de rastreamento que monitora movimentos do mouse, cliques e teclas digitadas dos empregados para treinar agentes de IA. Mais de 1.600 funcionários assinaram um documento pedindo a suspensão do sistema de monitoramento.
Por que o caso importa além da Meta
A ação aparenta ser a primeira contra uma grande empresa americana a questionar o uso de IA em demissões coletivas. Se prosperar, pode criar precedente jurídico relevante sobre a responsabilidade das empresas quando sistemas automatizados participam de decisões que afetam a vida profissional dos trabalhadores — mesmo que de forma indireta.
Um dos principais obstáculos dos trabalhadores é comprovar de que forma a inteligência artificial teria participado das decisões. O juiz federal destacou que os trabalhadores não participaram das discussões internas que levaram às demissões e, por isso, ainda não conseguiram apresentar provas suficientes.
Matéria produzida pela equipe do Destaque RS.



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