A culpa é da IA: escassez de chips derruba vendas de celulares ao menor nível em 13 anos e deve encarecer todos os modelos
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Quem estava pensando em trocar de celular em 2026 vai encontrar um mercado mais caro e com menos opções do que o esperado. As remessas globais de smartphones caíram 11% no segundo trimestre do ano, atingindo o menor nível para o período desde 2013, segundo dados preliminares da Counterpoint Research. E a principal responsável por isso não é a falta de interesse dos consumidores — é a inteligência artificial.
Os data centers que treinam e executam modelos de linguagem de grande porte estão consumindo a maior parte da produção global de chips de memória RAM, criando um desequilíbrio sem precedentes entre oferta e demanda. Quando os custos de memória sobem, os fabricantes reduzem a produção de dispositivos de consumo para priorizar o segmento de IA, que exige maior capacidade de processamento. O resultado é uma escassez que atinge diretamente quem quer comprar um celular novo.
O que está acontecendo com os preços
A projeção da IDC aponta que o preço médio dos smartphones deve subir 14% em 2026, chegando a US$ 523 por aparelho. Esse aumento evidencia uma mudança de estratégia das fabricantes, que passam a buscar aparelhos com margens de lucro maiores em um cenário onde os componentes estão mais caros e escassos.
O segmento de aparelhos abaixo de US$ 100 pode se tornar permanentemente inviável, e pequenos fabricantes podem ser forçados a sair do mercado. Para consumidores de menor poder aquisitivo, o impacto é direto: menos opções acessíveis e preços mais altos mesmo nas linhas de entrada.
Quem está sendo mais afetado
Regiões como Oriente Médio e África, onde predominam vendas de aparelhos básicos, devem sofrer retração de 20,6% no ano. China e Ásia-Pacífico devem cair 10,5% e 13,1%, respectivamente.
Entre as marcas, Xiaomi, Oppo e Vivo registraram as maiores quedas, refletindo sua exposição aos segmentos de entrada e intermediário, justamente os mais afetados pela crise dos chips. A Samsung recuperou a liderança global com 24% de participação de mercado, impulsionada pelas vendas do Galaxy S26. A Apple contrariou a tendência geral, aumentando suas remessas em 3% e alcançando 20% de participação.
Quando melhora
O setor segue pessimista em relação aos próximos meses, na medida em que a crise está cada vez mais instaurada na indústria. A escassez de chips de memória deve persistir até 2027, e os preços dificilmente voltarão aos níveis anteriores. Para quem puder esperar, 2027 pode ser um momento mais favorável para trocar de aparelho. Para quem precisar comprar agora, o recado é claro: vai custar mais.
Matéria produzida pela equipe do Destaque RS.



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