Fim das embalagens coloridas e dos sabores de bala: Reino Unido quer tornar cigarros eletrônicos menos atraentes para crianças
Créditos: Getty Imagens
Embalagens coloridas, sabores inspirados em doces e coquetéis, nomes chamativos e personagens visuais: tudo isso pode ser proibido no Reino Unido como parte de um conjunto de medidas para impedir que os cigarros eletrônicos sejam comercializados para crianças e adolescentes. O governo britânico lançou uma consulta pública de 12 semanas para debater as novas regras, que representam o avanço mais amplo do país na regulação dos produtos de vaporização nos últimos anos.
O que o governo propõe
As propostas apresentadas pelo secretário de Saúde, James Murray, incluem embalagens neutras para todos os cigarros eletrônicos, com uso restrito de marcas e apenas descrições simples de sabor, como “maçã” ou “cola”. Nomes com apelo infantil ou juvenil inspirados em balas, sorvetes, bebidas açucaradas ou coquetéis seriam proibidos.
Outra medida prevista é a remoção dos produtos de vaporização das vitrines e prateleiras visíveis nas lojas, seguindo o modelo já adotado para cigarros e tabaco convencionais no país. A ideia é que os produtos só sejam mostrados ao cliente mediante solicitação, reduzindo a exposição involuntária de crianças ao marketing visual.
A consulta também propõe a inclusão de encartes nas embalagens informando compradores sobre onde buscar ajuda para parar de fumar.
Por que a mudança é necessária
Os números justificam a urgência. De acordo com a organização Action on Smoking and Health, cerca de 1 milhão de jovens entre 11 e 17 anos na Grã-Bretanha, o equivalente a quase um em cada cinco adolescentes, relataram ter experimentado cigarros eletrônicos em 2025. Funcionários do NHS, o sistema público de saúde britânico, afirmam que crianças de apenas 13 anos admitem usar esses produtos regularmente.
Não há nenhuma razão legítima para que produtos com nicotina venham em embalagens neon, apresentem imagens de desenhos animados ou usem sabores e marcas projetados para atrair a atenção de crianças, segundo especialistas em saúde pública.
O contexto: uma lei mais ampla
As novas propostas surgem na sequência da aprovação da Lei do Tabaco e dos Produtos de Vaporização, que estabeleceu o objetivo de criar a primeira geração livre do fumo no Reino Unido. Pela lei, crianças e jovens de até 17 anos estão proibidos de comprar cigarros para o resto da vida sendo ilegal vender tabaco para qualquer pessoa nascida após 1º de janeiro de 2009.
A legislação também dá ao governo o poder de proibir o uso de cigarros eletrônicos em carros com crianças, em parques infantis, fora de escolas e em hospitais, ampliando as restrições já existentes para o tabaco convencional.
As propostas de embalagem neutra fazem parte de um pacote mais amplo que inclui a proibição já implementada de cigarros eletrônicos descartáveis e prevê, no futuro, o fim da venda desses produtos em máquinas automáticas e a proibição de publicidade e patrocínio de cigarros eletrônicos.
O equilíbrio entre proteger crianças e ajudar adultos a parar de fumar
O governo britânico faz questão de distinguir os dois objetivos. Os cigarros eletrônicos são considerados menos prejudiciais do que os cigarros convencionais e desempenham um papel reconhecido como ferramenta para ajudar fumantes adultos a abandonar o tabaco. O objetivo das novas regras não é eliminar os produtos do mercado, mas retirar deles tudo que é projetado especificamente para atrair um público jovem.
A consulta pública estará aberta por 100 dias, período em que qualquer cidadão poderá enviar sua opinião sobre as propostas antes que o governo tome a decisão final sobre as mudanças.
Matéria produzida pela equipe do Destaque RS.

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