Ameaça de greve paralisa plano dos Correios: fechamento de agências e corte de gratificações ficam suspensos até 31 de julho
Divulgação/Correios
Os Correios suspenderam nesta quinta-feira (9) parte das medidas previstas no Plano de Reestruturação 2026-2027 após semanas de tensão com sindicatos da categoria. O fechamento de agências, a implantação de um novo sistema de distribuição e o corte de gratificações pagas a atendentes de guichê ficam congelados até 31 de julho. Em troca, a direção da estatal abre uma mesa de negociação com participação das entidades representativas dos trabalhadores e do governo federal.
A decisão foi comunicada em carta enviada à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) assinada pelo presidente da empresa, Emmanoel Rondon, e pelos diretores de Gestão de Pessoas e de Operações. O recuo ocorreu após sindicalistas ameaçarem deflagrar uma greve nacional.
O que fica suspenso
Três frentes centrais do plano foram paralisadas temporariamente. A primeira é o fechamento de agências e centros de distribuição previstos na reestruturação — exceto as unidades já desativadas ou em processo avançado de fechamento. Dos mil pontos previstos para encerramento no plano original, 256 já foram fechados. As demais permanecem abertas enquanto durar a negociação.
A segunda é a implantação do Sistema de Dimensionamento da Distribuição (SDD), um novo modelo interno de organização das entregas que os sindicatos avaliam como uma forma de intensificar o ritmo de trabalho sem contrapartida salarial.
A terceira é o corte das gratificações pagas a quem trabalha no atendimento ao público: o Adicional de Atendimento em Guichê (AAG), de R$ 500, e a Quebra de Caixa, paga a funcionários que lidam com dinheiro em espécie e precisam cobrir diferenças de caixa. Casos em que os benefícios já foram retirados serão reavaliados.
A crise financeira que está por trás de tudo
Os Correios vivem uma das piores crises da história da empresa. A estatal encerrou 2025 com prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões e já acumula déficit de R$ 3,1 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026. O plano de reestruturação foi elaborado como contrapartida ao aval do Tesouro Nacional para um empréstimo de R$ 12 bilhões. Agora, a empresa negocia um novo crédito de R$ 7 bilhões para manter a operação.
O contexto financeiro coloca a direção em uma posição difícil. Cada mês sem a execução integral do plano representa manutenção de custos que a empresa considera insustentáveis. O fechamento das mil agências, por exemplo, deveria gerar economia de R$ 2,1 bilhões. Com a suspensão, parte dessa economia fica adiada.
O que os sindicatos querem
As entidades representativas não pediram apenas o adiamento das medidas. A pauta inclui a manutenção definitiva das gratificações, a revisão dos critérios de fechamento de unidades — especialmente em cidades pequenas, onde a agência dos Correios muitas vezes acumula funções além das postais, como pagamento de contas e acesso a serviços bancários — e garantias de que o novo sistema de distribuição não será usado para intensificar o trabalho sem contrapartida.
Os sindicatos mantêm o chamado estado de greve, instrumento que permite convocar paralisação a qualquer momento caso os entendimentos não avancem.
O impacto para quem usa os Correios
Para os usuários, a suspensão das medidas preserva o atendimento presencial nas agências ameaçadas de fechamento, ao menos até o fim de julho. Moradores de cidades menores e de bairros periféricos — onde a agência dos Correios costuma ser o único ponto físico de acesso a serviços essenciais — ganham mais tempo antes de uma eventual perda desse atendimento.
As negociações entre a direção, os sindicatos e o governo federal devem definir nas próximas semanas o tamanho real dos cortes e o cronograma de qualquer fechamento que venha a ser confirmado.
Matéria produzida pela equipe do Destaque RS.



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