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8 em cada 10 famílias brasileiras estão endividadas, mas pela primeira vez em meses o cenário para de piorar, aponta CNC

Créditos: Pexels/reprodução

O Brasil continua com um nível histórico de endividamento familiar, mas junho trouxe o primeiro sinal de estabilização após cinco meses seguidos de alta. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada nesta terça-feira (14), mostra que 81,6% das famílias brasileiras têm dívidas a vencer, o mesmo percentual de maio — uma pausa na trajetória de crescimento que vinha sendo registrada desde o início de 2026.

A taxa de inadimplência, ou seja, de famílias com contas em atraso, também ficou estável em 29,9% em junho, na mesma proporção de maio. Apesar da estabilidade, ambos os indicadores ainda superam os de um ano atrás: em junho de 2025, o endividamento estava em 78,4% e a inadimplência em 29,5%.

A estabilização da inadimplência e a melhora dos prazos de pagamento em junho dão um respiro ao consumidor, segundo o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.

O que melhorou no perfil das dívidas

Apesar dos números elevados, a CNC identifica sinais qualitativos positivos que merecem atenção. O percentual de famílias que se declaram “pouco endividadas” avançou de 33,3% em maio para 34,2% em junho, superando o crescimento das que se consideram “muito endividadas”, que subiu apenas de 17% para 17,2%.

O comprometimento da renda também mostra melhora: a proporção de consumidores que destinam mais da metade dos seus rendimentos ao pagamento de dívidas recuou ligeiramente. A maior parte das famílias, 55,8%, destina entre 11% e 50% da renda mensal para quitar parcelas.

Outro indicador positivo é o aumento dos prazos. O percentual de famílias com dívidas contratadas por mais de um ano permaneceu estável em 33,3%, o que significa que a amortização mensal é diluída no tempo, dando mais fôlego financeiro ao orçamento.

O papel do Desenrola 2.0

A CNC atribui parte da melhora ao Desenrola 2.0, programa federal de renegociação de dívidas lançado recentemente, que pode estar contribuindo para a estabilização dos indicadores. Os efeitos práticos do programa, no entanto, tendem a aparecer de forma mais expressiva nos próximos meses, e não de forma imediata.

O cartão de crédito continua liderando as dívidas

Entre os tipos de dívida, o cartão de crédito segue disparado como o principal vilão: 84,7% das famílias endividadas têm débitos nessa modalidade. Em segundo lugar aparecem os carnês (16,1%) e o crédito pessoal (13,2%). O cartão preocupa especialmente porque carrega as maiores taxas de juros do mercado — o rotativo pode ultrapassar 400% ao ano — o que torna a dívida especialmente difícil de quitar para quem não consegue pagar o valor integral da fatura.

O que esperar para os próximos meses

A CNC projeta que o endividamento das famílias brasileiras ainda deve registrar leve crescimento nos próximos meses, puxado pelo nível ainda elevado da taxa Selic, pelo ritmo esperado de redução dos juros pelo Copom e pelas incertezas macroeconômicas relacionadas ao preço do petróleo. A estabilização de junho é um alívio, mas não sinaliza reversão imediata da tendência.

Matéria produzida pela equipe do Destaque RS.

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